Crença na política – Napoleão Bernardes
ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL FOLHA DE BLUMENAU NO DIA 22 DE OUTUBRO DE 2008.
Em dado momento de sua vida, Mário Covas pronunciou ser possível conciliar política e ética, política e honra e política e mudança. Passado o período eleitoral, reafirmo minha crença na política.
Vislumbro a política como o instrumento mais legítimo e eficaz para a transformação positiva dos municípios, dos estados, do país e mesmo da sociedade. É através dela que as demandas humanas, sociais e econômicas podem ser mais eficientemente atendidas.
A atividade de entidades organizadas, evidente, é de extrema relevância para a consecução de diversos pleitos sociais, comunitários e de classe, os quais, sem o envolvimento das organizações da sociedade, no mais das vezes, não seriam concretizados. Mas é direta ou indiretamente através de institutos políticos que o objeto desses anseios pode ser efetivado.
Mesmo diante de tantas denúncias, escândalos e descrédito envolvendo políticos em nível nacional, ainda assim reafirmo minha crença na política. Não nessa política pequena, dos mesquinhos e menores balcões de negócios. Mas em uma grande política, como ela deve ser: dotada de valores éticos e comprometida com os ideais maiores da sociedade.
Aliás, ao político neste terceiro milênio incumbe uma missão especial, a de lançar um olhar para o futuro e sedimentar o caminho de oportunidades e qualidade de vida para as gerações vindouras. O gestor público e, em especial, o legislador devem ter um compromisso intransponível com as novas gerações. E a atenção deve ser imediata, haja vista que qualquer ação ou omissão do poder público no presente necessariamente implica conseqüências em longo prazo.
Ainda em relação ao quadro negativo envolto à política na contemporaneidade (de natureza muito mais policial que política propriamente dita), entendo como um chamado à sociedade para participação mais intensa na vida pública, quer seja votando conscientemente, candidatando-se a postos eletivos, fiscalizando a aplicação do dinheiro público e cobrando os posicionamentos desejados dos eleitos.
Napoleão Bernardes.
Parlamento e democracia
ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL DE SANTA CATARINA NO DIA 17 DE OUTUBRO DE 2008.
As utopias normalmente estão associadas à idéia de metas ou sonhos inatingíveis ou impossíveis de serem alcançados. Creio, contudo, na força transformadora dos ideais. Assim, as utopias podem e devem ser vistas como propósitos pelos quais verdadeiramente vale a pena lutar.
A política é um desses ideais. Exercida com base em valores éticos e comprometida com o fomento da dignidade da pessoa humana, constitui-se em imprescindível instrumento para a transformação positiva da sociedade, dos municípios, dos estados e da Nação.
Construir o futuro ideal para as gerações vindouras depende da tomada de ações políticas conscientes e responsáveis no presente. Tais decisões devem primar pela observância dos valores da alteridade, da fraternidade, do respeito incondicional ao ser humano e da prevalência do interesse público sobre o individual.
O parlamento, através do exercício da função legislativa, tem um papel decisivo na transformação do presente e na edificação do futuro que se almeja para Blumenau e para os blumenauenses. Para cumprir esse papel, que constitucionalmente lhe cabe, a Câmara Municipal deve buscar como ideal a ser alcançado a radicalização da Democracia.
Auscultar a Sociedade de forma crescente e fomentar o debate das propostas para o município são pressupostos para compreender as demandas sociais e, a partir daí, propor os encaminhamentos legislativos pertinentes à consecução dos anseios públicos.
Somente através do incremento da democracia participativa e da ampliação dos espaços de discussão é que a atividade parlamentar será verdadeiramente legítima e concatenada com os interesses maiores da Sociedade.
A história é construída diariamente, através de cada nova ação ou omissão. E ao parlamento cabe, também, permitir a ativa participação das pessoas na edificação da história de vida da cidade e de todos nós.
Napoleão Bernardes.


Assessoria de Imprensa











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