NA IMPRENSA: O PODER É CONIVENTE COM OS PIRATAS
Li em artigo publicado neste portal que o Brasil perde R$ 30 bilhões por ano em impostos, que deixam de ser arrecadados por causa da pirataria. Dinheiro que poderia financiar obras de infraestrutura e serviços públicos essenciais, como educação, saúde e segurança. Em Santa Catarina, são R$ 34 milhões por ano. Em Blumenau, que é um dos municípios catarinenses que mais movimenta a economia e a arrecadação de impostos, imagino que o rombo dos piratas nos cofres públicos também é grande.
Mais inquietado ainda fico quando penso no alívio que o governo poderia dar na carga tributária se cobrasse a conta dos piratas. Eles não pagam, mas nós pagamos por eles. Para se ter ideia, o total que a turma da falsificação sonega equivale a quase o total que a União recolhe das empresas e das pessoas físicas com o Imposto de Renda por ano.
Imagino então que, se combatesse a pirataria para reforçar seu caixa, o poder público poderia nos aliviar a forca. Assim, sobraria mais dinheiro no bolso do brasileiro para ele gastar e movimentar a economia. As empresas, pagando menos imposto, venderiam mais barato e nós, consumidores, compraríamos mais, fazendo com que as indústrias contratassem maior número de trabalhadores. Um ciclo virtuosíssimo.
Por que, então, o governo, a Justiça e os órgãos repressores não apertam o cerco aos piratas? Eu tenho um palpite: porque a organização do comércio pirata já chega ao poder. Há juízes, deputados, policiais e demais agentes corrompidos pela ação criminosa dos falsificadores. Assim como narcotraficantes, contrabandistas e milicianos, os piratas também infiltraram sua gente no comando dos poderes. Autoridades deixaram-se corromper, estão à serviço do crime.
Afinal, até chegar ao balcão de um comércio, o produto falsificado passou por alfândegas, postos de fiscalização, logísticas de transporte. Quando é feito em escala caseira, também pode ser detectado, pois geralmente acaba exposto em algum lugar. Mas nunca ninguém sabe, nunca ninguém vê. O pirata está lá, na prateleira do camelô, mas passa ao largo da atenção de autoridades. Não é possível que não possa ser mais duramente combatido.
A proposta do vereador Napoleão Bernardes, que prevê cassação do alvará de comerciantes que venderem produtos falsificados, é uma iniciativa interessante. Afinal, há muitos piratas em camelôs regulamentados, postos de gasolina e quitandas de periferia, que, bem ou mal, funcionam com autorização do poder público. Fechar a porta destes estabelecimentos é bom começo.
Mas é preciso mais. É preciso mudar a postura e a mentalidade de quem está no poder. Precisam de mais caráter, honestidade, transparência. Precisam parar de usar a máquina pública em benefício próprio. Estão lá a nosso serviço, e devem nos respeitar. Agradecemos.
Fonte: Coluna de Rodrigo Pereira no site Análise em Foco – http://www.analiseemfoco.com.br/site/noticia.php?cod=1Deixe o seu comentário!
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